Quem sou eu

sábado, 6 de agosto de 2016


Eu sou o Sol

A luz da sala estava apagada. 
Na TV, uma nova série sobre zumbis lançava luzes psicodélicas sobre os dois corpos no sofá.
Elas então foram interrompidas por um aviso de 'sinal ruim' no meio da tela.
- Toda vez que chove essa porra sai do ar.
Ainda com a cabeça no colo do outro, o mais novo concordou.
- O que vamos fazer?
Ambos se fitaram no escuro, tentando acostumar os olhos à penumbra.
Lá fora, a tempestade recém-formada não dava indícios de que acabaria tão cedo.
- Lembra quando há dois anos eu falei que um dia queria dançar na chuva contigo?
- No way. E tu lembra que eu disse que achava a ideia chata?
- Sim. Mas eu ganhei ontem no jogo de cartas e meu prêmio está pendente. Não seja um mau perdedor.
Ambos eram extremamente competitivos e viviam fazendo apostas que iam desde quem faria o jantar e lavaria a louça, até qual dos dois limparia os dejetos de seu cãozinho Bóris.
O vencedor do jogo levantou-se e se dirigiu para a varanda sem nem olhar para trás.
O outro refletiu um pouco, tirou o celular do bolso colocando-o na mesa de centro e o seguiu.
A chuva descia forte, fazendo um barulho estrondoso no capô do jipe laranja na garagem.
Ficaram ali sob o céu aberto por um bom tempo, de cabeças baixas, sentindo 
a chuva. As gotas caíam copiosamente em seus rostos próximos, formando gotas ainda maiores que escorriam pelas testas tão próximas.
O mais alto se aproximou e tirando os longos cabelos do rosto do outro, deu um beijo demorado.
E quando enfim descolaram os lábios, a chuva já havia passado e a TV da sala já voltava a fazer barulho.



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