Cavalheiros do Zodíaco
Já eram mais de três horas e a lua minguante sorria para os dois lá embaixo como em um comercial de creme dental.
Eles revezavam no telescópio observando as estrelas e se abraçavam deitados sobre um cobertor azul.
Do lado deles, uma garrafa de champanhe. Nada de taças ou copos.
- É engraçado - diz o mais novo.
- O quê? - O outro vira de barriga para baixo enquanto fixa os olhos no companheiro.
- Quem catalogou as constelações simplesmente viu desenhos nelas. Mas isso não significa que elas realmente pareçam aquilo.
Me parece muito aleatório. Carangueijos, Centauros... É como quando você está brincando de achar desenho em nuvens e quer que todos enxerguem seu dragão nelas.
Houve uma pausa curta em que era possível ouvir corujas ao longe e alguns peixes indo à superfície no rio que tangenciava o gramado.
- Cada pessoa podia ter a oportunidade de nomear uma constelação, não é?
O mais novo não responde. Ele pega a garrafa, ainda na metade e toma dois goles. Ele a oferece mas o outro rejeita.
- Se você pudesse escolher uma constelação que nos representasse, qual seria?
Ele pousa a garrafa na grama, coça sua imensa barba e diz sem pestanejar:
- O Cruzeiro do Sul.
E aponta o céu para que o outro consiga achá-la. Ele enfim a encontra e sorri, dizendo:
- Por quê?
O outro aponta o horizonte, deita colocando seus braços atrás da cabeça e responde:
- Porquê ela indica o infinito.
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