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segunda-feira, 11 de abril de 2011

A eterna mania de ser DO CONTRA

Já ouvi muitas frases na minha vida, óbviamente. Mas algumas sempre são mais frequentes. Tirando o ''cala a boca Gabriel'' e o ''Para de ser preguiçoso!'', umas das que mais ouvi é: ''Você é sempre do contra''. E esse é o tema do post de hoje. Solta a vinheta!
...
Bom, como não tenho uma vinheta (ainda) vou prosseguir. Percebi que eu era sempre do contra quando certa vez, ainda no colégio, critiquei o lema da Campanha da Fraternidade de 2009.
Para quem não sabe, todo ano um tema social é escolhido pelas igrejas para ser debatido e possivelmente melhorado. O daquele ano era FRATERNIDADE E SEGURANÇA PÚBLICA. “A paz é fruto da justiça”. Naquela época no colégio (de freiras), recebíamos um jornal chamado Mundo Jovem, e a partir dele a professora elaborava trabalhos, questões e etc.
Resolvi então mandar um poema, expressando o porquê de eu não concordar com o lema da CF 2009.
E é o seguinte:

A paz é fruto da justiça Divina

A Paz é fruto da justiça
Concordo, muito parcialmente
A justiça é algo relativo
Pra mim e pra ti, ela é diferente.

Pode se achar justo matar,
Pseudojusticeiros defendem sua paz
Justiça americana supõe cadeira elétrica
A brasileira, privilegia diplomados.
Sem saber as consequências que isto traz.

Novo lema, mesmo tema.
A Paz é fruto da justiça Divina
Assim não geraria confusão
Não existe apenas violência de atos
Mas de palavras, gestos, humilhação.

Não só o fruto, como a semente.
Paz é amor, solidariedade.
Mundo perfeito nunca existirá
Nada se transforma com facilidade
O comodismo porém, deve ser banido
Dando lugar finalmente, aquele sentimento,
O de dever cumprido.

Resumindo, você pode achar injusto alguém apedrejar uma mulher até a morte porque ela cometeu adultério, mas para os fundamentalistas, isso se chama JUSTIÇA.
Outra coisa, quando se fala em nazismo, muita gente logo solta ofensas e afins. Eu sou totalmente contra, deixo claro. Mas se tu parar pra pensar, dá pra entender porque o povo da época achava normal (os brancos, claro).
Por exemplo, hoje em dia uma mulher que não é mais virgem e se casa é totalmente normal para a sociedade. Mas há uns cinquenta anos atrás, era quase um CRIME.
Do mesmo modo, antigamente era normal um negro trabalhar exaustivamente sem salário. Ou então, ser morto para a homogenia das raças.
O que quero dizer, é que todos estes costumes são CULTURAIS, como tanto, não devem ser julgados sem analisarmos o contexto. Mas como já disse, sendo culturais, devem ficar no passado. Hoje, um nazista ou alguém que tenha preconceito ou racismo deve ser punido, pois felizmente a cultura muda e PARA MELHOR.
É aquela velha história:
- Você mataria alguém?
- Não.
- Mas e se fosse para defender sua família?
...
Portanto, só quero esclarecer porque sou sempre o do contra. Porque sempre analiso o contexto, o outro lado. Aliás, essa minha mania está expressa até no nome/slogan desse blog, reflita!

Até a próxima e um abraço cactáceo e esfoliante =*

5 comentários:

  1. Só não consegui entender muito bem o título, mas o texto foi fantástico e o poema sencacional. Parabéns! Allex

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  2. Gostei do post.

    OBS: parabens, você ta no rancho cara. uhu hu.

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  3. Interessante o seu post, muito bem argumentado.
    Compartilho então alguns questionamentos. Será que a concepção de justiça é particularista/ subjetiva? Ou seja, cada um tem o seu conceito e ponto. Mas, se for assim, não teríamos que, por analogia, abarcar a idéia de "gosto não se discute, ponto"? E se for assim, como seria possível uma discussão sobre justiça? Afinal, oq é justo pra mim n necessariamente o é pra vc. Problemão, não? (é mais ou menos aquele argumento "vc só aceita isso pq vive é de classe média". Aceitar esse tipo de argumento é minar qlqr tipo de argumentação)
    Há gente que defende q a discussão sobre justiça e ética não pode se dar em âmbito subjetivo, deve-se dar em âmbito objetivo. Ou seja, esses conceitos estão fora da gente e existem mesmo se concordemos ou não (pode ser muito pretensioso -e perigoso tbm - achar q existe uma verdade sobre as coisas, mas é questão pra outra discussão. Aliás, se o tema te interessa, dê uma olhada em Kant, John Rawls (Uma teoria da justiça), Thomas Nagel (A ética). Particularmente, prefiro essa posição objetiva dos conceitos, pq daí, a discussão de q é certo e errado não fica só numa consideração da opinião própria. Passa-se então para a idéia de direitos naturais, ou seja, apedrejar uma mulher é errado em qlqr lugar pq n se trata de uma questão de cultura, mas de algo inato ao ser humano (aliás, se pensar q esta discussão está longe de nós, ou irreal, ela está em todos os momentos nos jornais).
    Por fim, em referência à cultura e os crimes, você não deixa de ter razão. Dizer oq é ou não crime depende de cada sociedade e das suas escolhas políticas. Afinal, o que é se não o caso da discussão sobre as drogas? E, a partir dessa consideração, fica bem evidente q oq é lei, ou crime, nem sempre é justo ou aceitável (não, não estou fazendo apologia às drogas, basta pensar no caso q vc mesmo falou da mulher infiel. Parece absurdo pensar q isto era crime, mas era. Vide o caso do rapto ou da vadiagem).
    Enfim, gostei muito das considerações feitas por ti.
    Espero q o meu comentário tenha sido de alguma valia.

    Abraços,

    D.G.

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