Auto-Biografia de Eu Mesmo e Sobre Mim
Sem demagogias e preocupações com o bom português
Há pouco mais de uma década e meia, um homem - esportista nato - colocaria uma sementinha em uma mulher cujos cabelos eram pretos como carvão, e os olhos verdes como esmeralda.
Daí por diante a vida seria mais brilhante e pesada.
A mulher grávida, a mercê do peso que carregava, e este muito literalmente, cairia diversas vezes, colocando em risco a vida do pobre bebê que ali - naquela imensa barriga - dormia tranquilamente.
Mas a vida não seria tão cruel. Ao menos por enquanto.
Ao término da gestação, a grávida que engordara poucos, apenas duas... duas arrobas, teve o seu pequeno - apenas em tamanho - bebê.
Para sempre este, seria cabeçudo, espaçoso e sorridente.
De volta aos primeiros anos, o pequeno pisciano se depararia com um imprevisto incomum.
SEU PRÓPRIO NOME!
Seu pai, a mercê do destino colocaria antes do segundo nome, o primeiro nome, do qual o bebê nunca se acostumaria.
O pobre menino de nome estranho guardaria mágoas por toda a infância e adolescência...
Já com alguns aninhos, a mãe, novamente deixaria esta pobre criança cair e tomar sete singelos pontos cirúrgicos na testa.
Em um dos aniversários, ganharia uma bicicleta.
E que bicicleta!
Atormentaria-lhe até os dias de hoje e talvez para todo o sempre.
Uma semana depois de ganhá-la, ele cairia e nunca mais andaria em nenhuma espécie de veículo de duas rodas;
Fato este contestado para todo o sempre por seu pai.
Aos quatorze anos, aprendeu a assobiar, fato muito importante para ele, visto que seus amigos já sabiam imitar corujas, imitação da qual até o presente momento este jovem não conseguiria...
Nunca teria festas em todos os aniversários. Mas lembraria de quase todas as que teve. Uma em que o enfeite do bolo era do Pato Donald, outra festa-surpresa previamente revelada por um de seus colegas...
Teria um irmã, mais velha. Sabrina, que sempre chatearia este pobre menino para todo o sempre. (Não tomem isto como defeito). Acharia que era sempre superior por saber pronunciar Paralelepípedo e ao vê-lo recusar alguma comida, diria sempre que era melhor pois sobrava mais.
Sua mãe, sempre odiaria que este gozasse de seu peso, cabelo ou origem e depois quisesse abraçá-la. Sempre se recusaria a fazer frituras ao anoitecer e ao ver seu filho fazer alguma pergunta tola, questionaria se ele ainda pensava em ser médico.
Teria compulsão por caminhadas e tentaria levar, em vão, o menino consigo.
Sua melhor amiga Sara, o toleraria o máximo possível. Ficaria irada com seu desinteresse nos assuntos que ela julgasse interessante e ficaria nervosa sempre que ele mandasse um emoticon assustador. (Aliás, ela acharia todos os seus emoticons detestáveis).
Conheceriam-se em um jogo virtual e da tela do computador surgiria uma amizade que nem o tempo poderia apagar. E o tempo tentou, em vão. Passaria com ela um dos melhores Natais da sua vida e ela levaria lembranças quentes de lá: queimaduras do Sol (apesar dela nem ter se exposto a ele).
Do mundo dos pixels, faria um amigo chamado Bruno.
Sempre teria em mente a vontade de ser médico. Seus familiares sempre o desaprovariam, alegando que não teria coragem e que sairia correndo ao ver alguém machucado.
Passaria em Engenharia Civil e Jornalismo em Universidades federais. Mas não era o que ele queria e por isso decidiria fazer cursinho pré-vestibular para Medicina...
O cursinho o prepararia para outra coisa pelo qual ele nunca nem imaginou fazer (e passar): concurso público.
Por enquanto, acaba por aqui. Volte daqui um mês, um ano, um século e veja o que aconteceu com ele.
Satisfação garantida ou seus minutos perdidos lendo isso de volta.
